quarta-feira, 29 de agosto de 2012


A poesia vem a tona

Do que é feito o homem?
Nasce essa pergunta a cada vez que uma nova vida é gerada, ou melhor, a cada novo nascimento do ser pensante que habita no homo sapiens. Claro que nascemos com o órgão cerebral pronto, mas ainda inacabado, pois lhe faltam as memórias, as experiências a serem vividas, os sonhos, os pesadelos, os desejos intrínsecos que nascerão de sua subjetividade.
Os bíblicos diriam que o homem é feito de barro e do sopro divino, já os espíritas diriam que o homem é feito de sucessivas reencarnações (o que sinceramente desacredito).
Se perguntássemos a um nerd ele responderia que o homem é feito de algumas porcentagens de carbono, proteínas, ferro e outras substâncias químicas misteriosamente harmonizadas por um Alquimista Desconhecido (ou será Deus Desconhecido dos gregos antigos?)
O que se sabe que o homem é um ser que criado e criador ao mesmo tempo.  Foi inventado para reinventar.
Dentre outras coisas, o homem também é feito de poesia. Não me limito a conceituar o que seria a poesia, já me bastam os doutrinadores e acadêmicos do cotidiano de nossos estabelecimentos de ensino superficiais com suas fórmulas prontas.
A poesia, se a comparação me permitir, seria àquela radiografia da alma humana, mas com muitas imperfeições e imprecisões de tal modo que não se consegue distinguir o osso do braço para o do antebraço. É a beleza do imprevisível, do inacabado e do estranho que existem em todos nós. É o rastro ou a brecha não compreendida pela ciência e por seus estudos empíricos desafiadores. O homem também é isso. É como se em cada mente existisse um protótipo da caixa de pandora pronta a despertar as misérias mais impensáveis e surpreendentes. E agora? Vais me dizer que és perfeitamente racional e pragmata?
O homem é o único ser da natureza mentalizado para compensar as fraquezas naturais que o seu corpo frágil lhe proporcionou. A poesia então seria a válvula de escape do frágil subjetivismo humano. Da mesma forma que pensamos e criamos asas mecânicas para compensar nossa incapacidade de alçar vôos, também fazemos poesia para compensar nossas mazelas intrínsecas, nossas frustrações e medos mais profundos. É dessa matéria cinzenta e escura que se faz o homem.
Portanto, se tens em livros os procedimentos de mistura e manipulação e todos os ingredientes da receita do ser humano, parabéns, considere-se um semideus. Até lá, nem mesmo os nossos avanços robóticos e genéticos alcançaram tal façanha. Voltemos então à prancheta de projetos.
 
   

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