quinta-feira, 26 de maio de 2011

Crise de Confiança

A humanidade está calejada de crises. Crises economicas, financeiras, estruturais-institucionais, crise do Estado, crise nas relações pessoais. Enfim. O sistema de produçao econômica atual predomimante no mundo - o capitalismo - vive basicamente de crise. O termo advém do grego krisys, trazendo a ideia de manifestação repentina de ruptura do equilíbrio e de suas bases.
A crise é o mecanismo pelo qual se coloca tudo em pontos sísmicos, é a injeção da instabilidade das coisas e dos fatos. Constitui a crise uma das ferramentas mais imprescindíveis do pensamento filosófico. Sabe-se que a primeira atitude filosófica do homem foi o questionamento, indagando à respeito das razões do mundo, do ser, e de tudo em sua volta.

A crise não é boa ou ruim, aliás, faz-se necessário esclarecer que bom ou ruim não passam de expressões carregadas de subjetivismo, sendo que cada leitor terá uma carga própria de significados ao se esbararrem nesses conceitos.

Mas é fato, que, toda crise gera um novo paradigma, ou seja, toda ruptura, além de trazer traumas (até irreversíveis), via de regra inaugura uma nova realidade, uma nova era, assim digamos.


A crise da economia cafeeira no Brasil de 1930, por exemplo, foi um momento oportuno para implantar o Estado Nacional desenvolvimentista brasileiro de Vargas, investindo pela primeira vez no parque industrial. Não por coincidência, nessa mesma época, exatamente em 1929, os EUA e o mundo passam pela maior das crises do capitlismo no século XX - o crack da bolsa de Nova Yorque. Crise esta que vai forçar uma novo meio de se conduzir as instituições financeiras, inclusive o Estado.
Provalmente, foi pela crise de energia fundada nas matrizes fósseis não-renováveis que os cientistas do mundo todo buscam novas alternativas "limpas" para suprir a demanda mundial pelo emprego de alta tecnologia.


Percebe-se que as crises tem um lado construtivo intressante. Elas abrem portas para novas realidades. Porém o que pensar da crise de confiança???

A crise de confiança nada mais é que a perda do referencial humano em si mesmo e no outrem. Quando falo em crise de confiança me remeto a um pano de fundo cruel, seco e desconfiado das relações interpessoais. Isto é, as pessoas não se prestam à confiança, no sentido de serem comprometidas com seus pactos, alianças, ou melhor, amizades. Cultivam-se colegas, mas raros amigos. Mantém os amigos perto, " e os inimigos mais próximos ainda", segundo já diz a sabedoria popular. E esse manter perto quer dizer: mantenha-se desconfiado sempre, o tempo todo. Até os casais de todos os tipos sofrem dessa chamada crise de confiança.


Em que ponto da história exatamente estamos? Eu me pergunto todos os dias quando vejo nos canais midiáticos pessoas cada vez mais descreditadas nas instituições, ou melhor, nas pessoas que as compõem. Antigamente, e ainda hoje em lugares remotos, firmam-se contratos vultuosos pelos simples aperto de mãos. Determinados grupos humanos ainda hoje tem a palavra como fonte principal do direito e das regras do seu lugar. Todavia, essa é a mais rara das exceções. A crise de confiança que abala as relações intersubjetivas são cadas vez mais frequentes e rotineiras. Na verdade, acredita-se mais em signos, horóspocos e alienígenas do que na palavra do outrem.

Vivemos em mundo permeado de crises, inclusive a crise de confiança.