sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O que está acontecendo com a música de Jorge Vercilo?




Essa crônica é uma visão crítica que atende a dois campos de interesse muito comuns: a música e a espiritualidade. Se você gosta de um ou de ambos, fique à vontade e deleite-se com essas elucubrações da mente.
A música é uma manifestação cultural muito rica, e talvez, a que mais pode explicar porque tantos seres comuns (humanos) encaram o mesmo dado da realidade por óticas variáveis. Existem povos que faziam suas próprias canções como fruto de suas vivências e contextos sociais, religiosos, políticos e econômicos. Um grande imperador da China já dizia que a nação é aquilo que ela escuta (imaginem então como é Brasil?!).
A música é, das artes, a que talvez mais deixe rastros na mente humana – estudos científicos já demonstraram as partes do cérebro que são fortemente marcadas ao som da música. Outros estudos também já atestaram como determinados sons afetam até a qualidade de vida de seres vivos como plantas e animais.
Mas o que proponho nessas reflexões é: até que ponto em nome da boa música é preciso escutar determinados artistas com suas letras apologéticas e intenções espirituais? Ou seja, sabendo que a música é um carro chefe para disseminar teorias, costumes, pensamentos, enfim, como separar a musicalidade das intenções “teológicas” dos seus autores?
Para quem conhece a música de Vercilo e o acompanha desde o seu primeiro disco sabe do que passo a escrever aqui.
Em discos passados, Vercilo cantava a respeito de aventuras amorosas, tais como “Monalisa”, “Que nem maré”, onde atingiu seu ponto alto na carreira. A musicalidade é indiscutível em termos de afinação, arranjos musicais e um timbre vocal reconhecível a megabytes de distância. Os críticos profissionais em muitas ocasiões já esbaldaram-se em elogios para se reportarem à música de Vercilo. Durante estudos e músicas da MPB que acompanhei, Vercilo era um nome sempre falado.
Acontece que de uns tempos para cá Vercilo fez a sua boa música uma plataforma de teorias e teses duvidosas. Na letra da música “Verdade Oculta” o mesmo diz de forma livre que “Se tudo é divino, tudo em Deus tem seu lugar”. Essa canção ainda faz alusão ao “deus menino nascido na Galiléia”, a quem o mesmo queria falar de Cristo Jesus – que na verdade é Deus com “D” maiúsculo, diga-se de passagem. E na mesma sentença iguala Cristo ao príncipe hindu, a um oxum, afrodite, e outras manifestações religiosas. 
É claro que do ponto de vista da manifestação artística, de fato todas essa sentenças têm o seu lugar, desde que se parta do pressuposto que a arte dos homens, distantes da graça de Cristo, é mero reflexo da decadência espiritual dos mesmos. Obviamente, em um Estado democrático de Direito onde a república é inspirada pela laicidade estatal, e pela liberdade de cultos e crenças, claro que não há nenhum erro em sua música, pois ele está simplesmente defendendo seu posicionamento religioso - que é pessoal.
Porém, o erro encontra-se na crítica indireta que suas letras sugerem. E como bom crítico e, embasado na liberdade de pensamento, sinto-me habilitado a tecer essas considerações, já que essa é a tarefa do Apolegeta Cristão: desembaraçar as vãs filosofias dos homens à luz das Escrituras.
Mais recentemente em seu último disco – Como diria Blavastky – o artista simplesmente faz referência a Helena Blavasty – uma russa do século XIX responsável por ser a mente pensante de uma corrente religiosa denominada Teosofia ou Sociedade Teosófica.
No estudo das religiões o nome disso é pan-religiosidade, ou para nós brasileiros mais comumente aceito como ECUMENISMO. A miscelânea religiosa é latente para os entendidos, mas sorrateira para os não esclarecidos. Muitos, inclusive eu, já passei pela música do Vercilo sem refletir na intenção dessas letras. Ocorre que nesses dois últimos trabalhos lançados, a defesa religiosa vem sendo escancarada em suas letras, o que me leva a deduzir com argumentos sólidos que o artista tem feito de sua música com outras intenções, não se limitando a fazer a boa música em si.
Essas considerações são apenas ensaios. Para quem muito já escutou suas letras e músicas, especialmente se for cristão, leve tais considerações mais a sério.
Saudades dos tempos em que os músicos faziam da música uma bela e simples expressão do artista sem pretensões anti-cristãs. Saudades dos tempos em que se cantava sobre a garoa fina que caia sobre a cidade, ou sobre o barquinho à vela rumando no mar, perdendo-se na metáfora poética do belo e do perigoso, ou até mesmo de um cara abandonado à praça da cidade chorando de dor pelo amor perdido. 





 







segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Advogado Fiel




"Meus filhinhos, estas coisas eu vos escrevo para que não pequeis, todavia, se alguém pecar, temos um Advogado para o Pai, Jesus Cristo, o justo." (1 João 2: 1)


Era o primeiro dia de um novo amanhecer – uma nova era se quiser – e, por razões externas ao homem, era o único dia de um novo tempo não conhecido cronologicamente. Tratava-se do grande Dia do Julgamento Final, onde no grande Tribunal dos céus o veredicto era certo e determinado. Dois destinos se dispontavam para os que se encontram no banco dos réus: a danação ou gozo eternos.
Como em qualquer provimento jurisdicional conhecido, a sentença do Juiz era irrevogável, impositiva e irresistível, já que ninguém na história da humanidade foi capaz de afrontá-la. Mas, a respeito da Justiça Divina o ditato popular já reconhece: é infalível, ao contrário da justiça dos homens, mundialmente conhecida por suas mazelas, desamandos e erros.
A  grande Tribunal situava-se em um horizonte infinito, sem alcance ao olho humano. No Centro estava o Grande Julgador, Único. Conhecido por ser o Senhor do Universo, Criador de todas as coisas, Autoridade Máxima e Senhor de suas criaturas. Por tais prerrogativas e muitíssimas outras é que sua Magistratura se estabeleceu. Na verdade jamais houve igual ou semelhante a Ele. Ele é antes de todas as coisas.
Sua especialidade era simplesmente tudo. Nada escapa ao seu conhecimento e sabedoria acima de toda qualquer inteligência humana.
Em verdade, até a loucura d’Ele é mais sábia que a sabedoria sofismável e refutável dos gregos, dos cientistas da Nasa, dos nerds, dos homens em geral.
Junto da sua mesa o martelo e as provas cabais de condenação da humanidade: todos pecaram e infrigiram suas regras, desde o primeiro homem e a primeira mulher. Todos os réus, consoante consta da denúncia oferecida pelo parquet, foram acusados de desobedecerem as regras Divinas, embora jamais tivesse a livre escolha de já nascerem sob condenação. Todavia, já nasceram sob os efeitos da pena – nasceram com a tendência natural a se indisporem às ordenanças de Deus.
A cena era um mistério simultâneo de julgamento coletivo com aplicação individual da sentença: todos estavam sobre as mesmas condenações, mas nem todos foram absolvidos!
E porquê nem todos foram absolvidos? Como em um tribunal comum, o grande Vitorioso desse Grande Julgamento foi o Advogado! Ele foi totalmente decisivo para a absolvição.
De repente, após a leitura breve do histórico dos fatos da vida de cada um dos réus acompanhada de todas as provas, uma grande decepção e despero toma conta dos mesmos, pois não haviam elementos probantes que permitisse contraditório e ampla defesa. Na verdade, seria totalmente justo e perfeito que todos os réus fossem condenados tendo em vista o horroso histórico de condutas humanas rebeldes à Lei Divina.
Nesse instante, abre-se para o momento da Defesa propor suas alegações e argumentações em face dos absolvidos. Na mesma hora surge o Grande Advogado, conhecido por diversos nomes tais como: Príncipe da Paz, Maravilhoso Conselheiro, Pai da Eternidade, Filho de Deus, Salvador, dentre tantos outros. Sua obra foi impecável, foi o único capaz de ser Deus e homem ao mesmo tempo em toda a história!
Era visível a comoção e o despero generalizado que tomara conta de todos os réus, pois muitos deles não aceitaram sua Ajuda quando em tempo oportuno foram-lhes apresentada.
Na sequência, o Grande Advogado, Jesus Cristo, se coloca na tribuna e profere seu discurso: conforme as Sagrades Escrituras “sem derramamento de sangue inocente não há remissão de pecados. Aprouve então a Deus enviar seu Filho, encarnando-se como homem, assumindo as culpas e as condenações daqueles a quem o Pai o deu, para que por meio de seu sangue fossem comprados e redimidos, tornando-os Filhos de Deus.”
E enquanto brilhantemente sustentava sua oratória, demonstrava a todos os presentes no Grande Tribunal das provas de suas palavras. Todos então se espantavam ao ver em um grande telão armado as cenas do nascimento de Jesus, sua vida, seu ministério entre os discípulos, seu sofrimento, a via crucis, a morte e sua ressurreição ao exato terceiro dia e sua subida aos céus entre nuvens.
Muitos dos presentes não se conformavam com o que viam, já que muitos não deram crédito a tais fatos enquanto vivos.
Até que finalmente, como ato final de seu conjunto probatório Ele arregaça as mangas de sua longa Beca e mostra-lhes as mãos furadas. Era a cicatriz que atestava definitivamente a sua crucificação! Nesse instante, todos as pessoas ali, de todos os povos e línguas confessavam o Nome de Cristo, mas, infelizmente era tarde demais para muitas.
Pois, o Advogado Fiel abre-lhes um grande Livro contendo os Nomes dos réus absolvidos, pois a Ele foi dado a Chave mestra que o acessava (Apocalipse). E os nomes dos réus absolvidos estavam todos ali, inscritos desde a fundação do mundo. Ao fechar o livro e ler os nomes, o Grande Juiz decide por sentença de mérito e despacha em definitivo enviando os condenados ao fogo eterno, local preparado para o diabo e seus anjos. Ali haverá choro e ranger de dentes.
Os salvos (absolvidos), por sua vez, foram contemplados pela sentença absolvitória, cujo efeito foi a entrada triunfante às Mansões celestiais, situada em uma Grande Cidade, denominada de Nova Jerusalém. Sua ruas são feitas de ouro, seus passeios largos e os seus jardins inigualáveis. Nenhum olho ou entendimento humanos foi capaz de conhecer.
Todos os absolvidos adentraram aos grandes portais da Jerusalém Cesletial, cercado por coros de anjos em belíssima harmonia, proferindo sons inigualáveis e infinitamente precisos. Um grande canto universal se ecoara de todos os cantos, contendo unicamente Louvor e Honra a Jesus Cristo – o Advgoado Fiel.
E por toda a eternidade os absolvidos foram premiados com a eterna glória de viverem em companhia de seu Criador.