Para quem não tem medo de pensar...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Crise de Confiança

A humanidade está calejada de crises. Crises economicas, financeiras, estruturais-institucionais, crise do Estado, crise nas relações pessoais. Enfim. O sistema de produçao econômica atual predomimante no mundo - o capitalismo - vive basicamente de crise. O termo advém do grego krisys, trazendo a ideia de manifestação repentina de ruptura do equilíbrio e de suas bases.
A crise é o mecanismo pelo qual se coloca tudo em pontos sísmicos, é a injeção da instabilidade das coisas e dos fatos. Constitui a crise uma das ferramentas mais imprescindíveis do pensamento filosófico. Sabe-se que a primeira atitude filosófica do homem foi o questionamento, indagando à respeito das razões do mundo, do ser, e de tudo em sua volta.

A crise não é boa ou ruim, aliás, faz-se necessário esclarecer que bom ou ruim não passam de expressões carregadas de subjetivismo, sendo que cada leitor terá uma carga própria de significados ao se esbararrem nesses conceitos.

Mas é fato, que, toda crise gera um novo paradigma, ou seja, toda ruptura, além de trazer traumas (até irreversíveis), via de regra inaugura uma nova realidade, uma nova era, assim digamos.


A crise da economia cafeeira no Brasil de 1930, por exemplo, foi um momento oportuno para implantar o Estado Nacional desenvolvimentista brasileiro de Vargas, investindo pela primeira vez no parque industrial. Não por coincidência, nessa mesma época, exatamente em 1929, os EUA e o mundo passam pela maior das crises do capitlismo no século XX - o crack da bolsa de Nova Yorque. Crise esta que vai forçar uma novo meio de se conduzir as instituições financeiras, inclusive o Estado.
Provalmente, foi pela crise de energia fundada nas matrizes fósseis não-renováveis que os cientistas do mundo todo buscam novas alternativas "limpas" para suprir a demanda mundial pelo emprego de alta tecnologia.


Percebe-se que as crises tem um lado construtivo intressante. Elas abrem portas para novas realidades. Porém o que pensar da crise de confiança???

A crise de confiança nada mais é que a perda do referencial humano em si mesmo e no outrem. Quando falo em crise de confiança me remeto a um pano de fundo cruel, seco e desconfiado das relações interpessoais. Isto é, as pessoas não se prestam à confiança, no sentido de serem comprometidas com seus pactos, alianças, ou melhor, amizades. Cultivam-se colegas, mas raros amigos. Mantém os amigos perto, " e os inimigos mais próximos ainda", segundo já diz a sabedoria popular. E esse manter perto quer dizer: mantenha-se desconfiado sempre, o tempo todo. Até os casais de todos os tipos sofrem dessa chamada crise de confiança.


Em que ponto da história exatamente estamos? Eu me pergunto todos os dias quando vejo nos canais midiáticos pessoas cada vez mais descreditadas nas instituições, ou melhor, nas pessoas que as compõem. Antigamente, e ainda hoje em lugares remotos, firmam-se contratos vultuosos pelos simples aperto de mãos. Determinados grupos humanos ainda hoje tem a palavra como fonte principal do direito e das regras do seu lugar. Todavia, essa é a mais rara das exceções. A crise de confiança que abala as relações intersubjetivas são cadas vez mais frequentes e rotineiras. Na verdade, acredita-se mais em signos, horóspocos e alienígenas do que na palavra do outrem.

Vivemos em mundo permeado de crises, inclusive a crise de confiança.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A verdade do Humor

Palavras, algumas delas, existem apenas para se aproximar de uma ideia concebida abstratamente. Isso ocorre exatamente porque a palavra é tão plurívoca em seus usos e carregada de significados que somos obrigados a na maioria dos casos apenas pronunciar a palavra sem prestar atenção no que de fato está escondido por trás dela.


A palavra verdade cumpre os requisitos acima. Porque os homens tem necessidade da verdade? Aliás, esse texto é num certo sentido a busca de uma determinada verdade. A verdade talvez seja o centro das atenções da credibilidade. Somos confiáveis ou merecemos crédito desde que digamos a verdade. Somos condenados ou absolvidos a depender de que ponto nos encontramos da verdade. Jesus já dizia “e conhecereis a verdade, e ela vos libertará”. Nesse sentido, verdade não é apenas a correspondência dos relatos com os fatos, mas o ponto culminante do destino da humanidade.


A verdade, na nossa cultura de orientação cristã ocidental encontra-se misturada com a moral e a ética. O ideal, o bom, o positivo, o confiável, o honesto, o sincero está sempre ao lado da verdade, é como se o comportamento humano seja sempre dilacerado em suas realidades dicotômicas: a realidade da verdade que é boa, e a do seu oposto que é a mentira. Mas nem todo a suportam.


Enquanto alguns se sentem libertados quando falam e vivem a verdade, outros, ao contrário preferem ignorá-la. Mas de algum modo todos precisam saber dela e ouvi-la. Mas o que dizer sobre a verdade do humor? Humor nada mais é que a possibilidade de alcançar e transmitir a verdade pela ironia e o sarcasmo. Humor é quando reproduzimos a realidade cruel e nua. O humor é uma espécie de licença poética. É possível ser racista, preconceituoso, ou seja, cometer atos criminosos passíveis de punição pela via criminal e ainda sim extrair o riso. Quem não conhece as infames piadas sobre gordinhos, gays, loiras, negros, brancos, enfim.

O humor nos fornece a liberdade de falar sobre e tudo e todos, e claro, falando a verdade. O ser humano ainda possui preconceitos, embora consiga omitir a verdade na maioria dos casos, exceto para o Doutor Carl Lightman do seriado “Lie to me”. Para este último a verdade nunca é omitida pelas expressões faciais, ou que ele mesmo prefere chamar de “microexpressões”, ainda que as palavras mintam, a verdade sempre goza de peso emocional. Isso explica também porque o homem se sente mais incomodado com a verdade que com a mentira. Certa feita ouvir um humorista falar que o humor era uma ferramenta de sobrevivência, era o que preservava da morte mesmo alfinetando a sociedade.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A busca pela fonte eterna de energia

INTRODUÇÃO


A busca pela fonte eterna de energia.

A cada segundo a humanidade gasta mais energia do que é capaz de produzir, ou seja, a realidade compõe-se de uma dicotomia insuperável, de um lado, as necessidades ilimitadas do homem versus os recursos naturais limitados. Desde a Revolução Industrial, no século XVII, quando o inglês James Watson aperfeiçoou a máquina à vapor, a força muscular é substituída pelo processo dos pistões da máquina movida à queima de madeira. À partir de então, dependentes da força de trabalho externa ao homem, a natureza tornou-se a maior fonte de recursos e, consequentemente, a maior perdedora desses processos.


Há tempos que cientistas procuraram criar um sistema que não consuma energia, desde o século XII, a exemplo do matemático indiano Bháskara, famoso pela criação da Fórmula de Bháskara utilizada no cálculo das raízes de equação de segundo grau.
Contudo, tanto a experiência, quanto a mais avançada das ciências não atingiram o tal “elixir de longa vida”, na qual um mecanismo gerasse bônus ao invés de sobrecarga. Por enquanto, a busca pela fonte eterna de energia torna-se como àquelas heroicas pesquisas dos alquimistas, os conhecidos químicos medievais que acreditavam na possibilidade de transformar qualquer metal em ouro.


Portanto, o pano de fundo que integra a discussão em torno da radioatividade e da energia nuclear parte da demanda pela energia da qual depende a humanidade. Mas, qual é a relação entre o acidente de Goiânia do Césio 137, considerado o maior acidente nuclear em zona urbana da história, com a questão energética? A linha divisória é aparentemente superficial, porém, são todas as duas questões fruto da mesma problemática, qual seja, a demanda energética.

Somente para efeitos comparativos, enquanto uma usina termelétrica elimina 1 quilograma de Dióxido de Carbono na atmosfera por quilowatt/hora gerado, a usina nuclear – cuja matriz é a radiação de elementos químicos manipulados – elimina para produzir a mesma quantidade de energia, apenas 30 gramas de CO2. É evidente que, países escassos de rios potencialmente bons para energia optarão pela matriz nuclear, embora tal política seja alvo de discussões polêmicas entre governos, corporações e ambientalistas por diversas razões.


A energia nuclear, apesar de ser menos pesada ao ambiente atmosférico se comparada às demais matrizes energéticas, elimina rejeitos utilizados durante o processo contaminados pela radiação extremamente danosos e nocivos à vida humana. Sabe-se que os efeitos da radioatividade vão desde sequelas irreversíveis como cânceres até a morte instantânea, a depender dos níveis de contato estabelecido entre o homem e a fonte de radiação.

Luís Paulo Sirvinskas admite que a energia nuclear, apesar do rejeito contaminado que produz, é “talvez a energia menos poluente” (SIRVINSKAS, pg.364, 2010).
Muito se polemiza acerca da energia nuclear, e várias pessoas constroem seus pontos de vistas sobre dados da realidade tendencialmente alterados. Existe até personagens de desenhos animados vilães cuja profissão é a ser dono de uma usina nuclear – quem não conhece a história do personagem Sr. Burns dos Simpsons, de criação do norte-americano Matt Groening?


É preciso ter acuidade e atenção redobrada no que tange ao debate da energia nucelar, ainda mais quando vivenciamos na atualidade o acidente com a usina japonesa de Fukushima, que após o terremoto de 5.8 graus na escala Richter foi atingida, e seus reatores expostos, liberando gases radioativos intensivamente.
E a cada nova experiência envolvendo a energia nuclear a discussão volta à baila. Entretanto, como operadores do direito, somos obrigados a ter uma resposta de ordem prática no que tange à fiscalização do uso da energia nuclear, porquanto é próprio da experiência jurídica termos sempre em mãos ferramentas aptas a direcionar o homem.


OS ÓRGÃOS PÚBLICOS E A RADIOATIVIDADE

A Poluição radioativa, conforme colação da Lei 6453/77, em seu art. 1º,VII é o:

Dano pessoal ou material produzido como resultado direito ou indireto das propriedades radioativas, da sua combinação com as propriedades tóxicas ou com outras características dos materiais nucleares, que se encontram em instalação nuclear, ou dela procedente ou a ela enviados. (SIRVINSKAS, pg.365, 2010)

O acidente de Goiânia com o Césio 137 responsável pela morte imediata de 04 pessoas e mais outras decorrentes da contaminação radioativa não era proveniente de uma usina atômica, mas sua substância é fruto das pesquisas e avanços tecnológicos nucleares. O material em questão é utilizado em máquina de Raios-X, equipamento fundamental para diagnóstico de lesões pelos profissionais médicos.


Segundo os fatos da história, o Césio 137 liberava uma luminosidade tal que chamou atenção de trabalhadores, em escombros de um hospital desativado.
Por desconhecimento dos efeitos nocivos das peças da máquina hospitalar, e da capacidade destrutiva da radiação emitida, os habitantes de Goiânia foram marcados pelo terror, medo e até preconceito gerado pelo isolamento e pelo tratamento de descontaminação.
Evidente, que a ignorância de grande parte da população no momento do acidente foi reveladora do descaso das autoridades pública em procurar manter a sociedade informada. As pessoas não sabiam ao menos o que era a radiação ou muito menos os seus efeitos.


O fato demonstrou para o Brasil e para o mundo as consequências mortais da manipulação mal fiscalizada de substância radioativa. Mesmo depois da experiência europeia de Chernobyl na antiga URSS, e da estrutura predial precária para suportar reatores nucleares, a humanidade ainda não sabe por fim de modo seguro e imediato aos dejetos e rejeitos nucleares.
Sabe-se que todo o lixo atômico – àquele proveniente de material radioativo – é depositado em reservatórios abaixo da superfície, uma vez que o mesmo não pode manter contato com o ar. Ora, a decomposição, ou melhor, a perda de emissão de radiação por esses materiais contaminados é questão de milhares de anos, o que torna os rejeitos radioativos muito pesados à natureza.


Enquanto a tecnologia e a ciência não encontra outra matriz energética que pese na balança o desenvolvimento sustentável, os órgãos públicos, representantes diretos da vontade popular e do bem comum de uma sociedade devem ater-se ao modo como se exploram tais atividades.
É certo que no Brasil, a exploração, processamento e manipulação de materiais de natureza radioativa são de competência exclusiva da União, e apenas sob regime de permissão é que são autorizados o uso de materiais desse porte em pesquisas, usinas, agricultura e usos médicos.

O uso em geral de radioisótopos, deverá obedecer algumas diretrizes, tais como: a) toda atividade nuclear em solo brasileiro deverá ser empreendida para fins pacíficos; b) por permissão ser concedida licença para comercialização e uso para fins médicos, agrícolas e industriais e para pesquisa; c) são permitidas a comercialização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe de culpa – isto é, responsabilidade civil objetiva.


Ao menos em termos de legislação, o Brasil não carece de tratamento jurídico. O que se percebe na prática é ausência de debate público. Muitos desconhecem ainda os rumos da questão nuclear brasileira. A título de exemplo, poucos sabem do potencial nuclear que o Brasil possui já que somos detentores de uma vasta reserva de Urânio, mineral largamente utilizado como matéria prima para o processo de enriquecimento do Urânio. Sem falar no campo da diplomacia, no qual o país mantém relações estreitas com países produtores da tecnologia nuclear.

Certamente, com o esgotamento das matrizes energéticas dependentes de combustível fóssil ou de outros recursos naturais a humanidade se verá cada vez mais dependente das usinas nucleares, pois a questão energética, a meu ver é a que mais nos chama atenção para o tratamento da atividade nuclear.

O poder público, seja através do trabalho preventivo da Função Executiva, e da Legislativa, quanto do trabalho repressivo da Função Judicial e Ministério Público devem prestar atenção quanto a essa demanda atual e futura.
A linha de trabalho mais relevante preliminarmente é informar o povo, pois é para este que o Poder se organiza. A informação sobre a questão nuclear deve ser levada à todas as faixas etárias e sociais, para evitarmos de cair no erro da história trágica do acidente de Goiânia.



Bibliografia

SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de Direito Ambiental. – 8 ed. rev. Atual. São Paulo: Saraiva, 2010.

sábado, 19 de março de 2011

Uma ilha chamada Brasília

Desde a célere obra de Thomas Morus denominada Utopia, cuja etimologia remete a fora do lugar, até a ilha perdida do seriado pedante Lost da TV norte-americana, a humanidade almeja refugiar-se em ilhas. Os contos de piratas e as maiores aventuras dos cinemas quase sempre perpassam pelas temáticas das ilhas, e para Juscelino Kubitschek o script não fora diferente.


Em meio à primeira metade do século XX e no auge da 2º revolução industrial para os países europeus e EUA, o Brasil, não obstante ao distanciamento econômico, se equilibrava em sua velha bengala nacional-desenvolvimentista de Vargas da década de 30. Evidentemente tal modelo já havia se esgotado.

JK, como político acima da mediocridade e à frente do seu tempo, à custa do endividamento, do aumento da dívida externa e da dependência dos capitais estrangeiros, mostrou ao povo brasileiro que também éramos capazes de construir uma bela ilha, em cujos sonhos de desenvolvimento e integração regional se materializariam em concretos armados, tijolos e cimentos erguidos no planalto central. E diferente dos americanos, não precisaríamos comprar à preço de banana das mãos dos índios como os holandeses na ilha de Manhattan.

Claro, toda boa aventura é repleta de símbolos, heróis, perigos e outros elementos cinematográficos, e no caso de Brasília a aventura sobrou a ponto de transbordar.

Primeiro, foi preciso construir o argumento ideológico que trajava o pano de fundo para construir tal proeza. Era preciso trabalhar no campo das ideias para arrebanhar seguidores. E aos poucos as ideias foram planejadas e disseminadas. Dentre elas, a ideia de que o Brasil precisava integrar as várias regiões do seu vasto território continental, integrando em todos os aspectos, desde o político até o econômico. O centro-oeste, região escolhida, estava dentre as mais anecúmenas do país.

Segundo, era preciso desvincular o centro da política nacional do ranço imperial que rondava a o antigo Estado da Guanabara no Rio de Janeiro com suas belas praias, antigos barões e nobres da velha coroa portuguesa. A nova capital deveria inspirar não somente modernidade arquitetônica Nieymaiana, mas também, modernidade político-filosófica, Brasília, portanto, seria o símbolo do novo momento político, e seria de quebra, a primeira capital de Estado projetada.


Terceiro, era necessário vencer as intempéries típicas do aspecto geográfico do lugar. O planalto central, cuja vegetação nativa é o cerrado, quente, seco e com baixo índice pluviométrico. Foi preciso incluir no projeto urbanístico da cidade a construção de uma grande represa, para então dar sentido à nova ilha construída. Em volta do grande lago Paranoá, então, estendida sobre a sequidão do centro-oeste de umidade relativa do ar precária, Brasília é construída por aventureiros nordestinos afoitos por uma vida melhor e funcionários públicos deslocados do sudeste.

Os órgãos dos três poderes que fundamentam a República são transferidos para longe do centro de pressão e maior densidade demográfica do país, justificando novamente a metáfora da ilha. Soltos no meio da savana brasileira, as figuras de tomadas de decisão e dos rumos do país estariam mais à vontade para, na tranquilidade do isolamento, forjarem as regras para todo povo brasileiro.

Sem prever as consequências, JK e todos os seus parceiros fizeram de Brasília a ilha brasileira mais próspera para se viver e trabalhar. Obviamente, o tom é sarcástico. Hoje em dia, com uma população próximo a 2 milhões de habitantes Brasília possui um renda per capita em torno de 40 mil dólares, bem acima da média nacional, e com renda semelhante a países como Luxemburgo. O que antes era para dirimir as desigualdades macrorregionais, a ilhota brasiliense criou outra desigualdade econômico-social para com as demais regiões brasileiras. Não à toa Brasília tornou-se uma ilha de prazeres, de pontes milionárias, políticos corruptos, demagogos e rebeldes sem causa.

Metaforizando Brasília como uma ilha, o compositor Lenine já cantava "como é que faz pra lavar a roupa, vai na fonte, vai na fonte, como é que faz pra raiar o dia, no horizonte, no horizonte, esse lugar é uma maravilha como é que faz pra sair da ilha, pela ponte". Esse trecho é uma crítica sutil ao lifestyle brasiliense. A ponte é uma referência tanto material à monstruosa construção da ponte de 154 milhões de reais, quanto que uma referencia poética à ilha central do poder brasileiro.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A minha versão do exílio

A minha terra já não tem palmeiras, pois a intensa verticalização e inchaço horizontal das cidades não mais as comportam. Os únicos pássaros que cantam por essas bandas são àqueles brinquedos dos vendedores ambulantes pelas 25 de Março; antigamente um pequeno remanescente de pardais ainda pairava pelas copas das minguadas árvores do canteiro central, hoje em dia nem isso mais.

O colapso ambiental em que adentramos o século XXI é apenas sinal claro das conseqüências vindouras. As gerações atuais já não sabem o que é um ar com alto teor de oxigênio sem antes de inalar algumas toneladas de partículas de carbono produzidas pelos maquinários.


Os processos climáticos em geral demonstram tantas irregularidades que as previsões do tempo dos jornais de televisão são quase um espaço de profecia climática; chega a soar engraçado e irônico, no entanto, é trágico.

Lembro-me com certa intranqüilidade de uma crônica de Adauto Novaes quando este fala sobre um dia quente na cidade do Rio de janeiro, onde a temperatura sobe à escala dos 60 graus Celsius – quase impensável – ao meio-dia, e pessoas loucas correndo à procura de sombras, piscinas, praias e lojas para comprar ventiladores e ar-condicionado. Não quero viver para ver tal cena.
Mas é bem provável que, pelos estudos mais pessimistas, algum dia a vida na terra chegará a ser insuportável.

Certamente, minha terra já não tem tantos manjares, oásis, pássaros livres, e outras delícias naturais, pois o exílio do mundo artificial criado pelo homem não mais permite essa divagação, a não ser por meio da tão utópica licença poética.

Os jovens e os falsos ensinos

Texto base: 1 Timóteo 1: 1 ao 7


O mundo ocidental há pelo menos 10 anos – desde o atentado de 11 de Setembro do ano de 2001, não sabe o que é o ataque e o terror da guerra, de bombas, aviões, desespero e mortes em massa. Atualmente, a guerra mais perigosa que vivenciamos é travada no campo das ideias. Essa guerra é silenciosa, sem alardes, sorrateira e, semelhantes às guerras convencionais que conhecemos através dos livros e das mídias, a guerra travada no campo das ideias causam tragédias tão destrutivas quanto às mortes físicas. A guerra das ideias é na verdade um confronto de ideias opostas que cada ser humano trava dentro de si.

A maioria dos jovens desconhece ou subestimam o poder que as ideias exercem sobre o ser humano. Foi pela ideia de superioridade da raça ariana que Hitler através do exército nazista comandou o maior genocídio da história – matando segundo estimativas mais de seis milhões de Judeus na segunda guerra mundial.

Foi pela ideia de que o todo o homem é livre para ler a Bíblia que Martinho Lutero, o líder da Reforma Protestante realizou a tradução do texto sagrado, texto este até então restrito à linguagem latina dos padres da igreja. Foi pela ideia de que a terra era redonda que o cientista Copérnico foi perseguido pela igreja Católica por não aceitar uma ideia contrária a que ela defendia. Foi pela ideia de que brancos e negros eram sujeitos iguais que Nelson Mandela foi preso e torturado na África do Sul, mas comandou a queda do regime do Apartheid.


As ideias sem dúvida exercem um poder tal sobre a mente humana que não se pode mensurar, a história e a experiência estão fartos de exemplos de homens e mulheres que deram suas vidas por ideias. A importância das ideias está no fato de que elas são quem corroboram, e dão valor às ações.


O texto base dessa reflexão trata-se de uma recomendação e alerta do apóstolo Paulo em relação ao jovem pastor Timóteo. Paulo como profundo conhecedor das filosofias e das ideias predominantes de sua época (porque fora ensinado aos pés do mestre Gamaliel) Paulo sabia do poder maligno que detinha as ideias opostas à fé cristã. Assim como ocorre nos tempos de hoje, naqueles, as ideias e as filosofias vãs eram todas àquelas que de algum modo negavam a vida, o sacrifício, a ressurreição, a Ascenção, e a divindade de Cristo.

Como hoje, em muitos círculos acadêmicos a ciência só tem validade quando afasta o elemento divino de suas discussões. A ciência para a grande esmagadora maioria dos pensadores só tem sentido quando se nega a Deus e sua criação. O ateísmo é a pauta do dia dos corredores e bancos das universidades, e muitos jovens cristãos se enveredam por esse falso ensinamento. Torna-se status ser um intelectual ateu, crendo somente na razão humana. Infelizmente muitos jovens cristãos radicais até ignoram o conhecimento e a busca pelo saber, e desprezam o ensino de filosofia ou outras disciplinas por causa desse fato lamentável.


É verdade que Paulo nos ensina a ter cuidado com as fábulas, filosofias vãs e discussões que não levam a lugar algum. Mas ao contrário do que muitos erroneamente deduzem desse texto, Paulo não nos recomenda a desprezar a razão, pelo contrário, o apóstolo nos adverte a sermos criteriosos com aquilo que vimos e ouvimos, e para tal, devemos pedir ao Senhor misericórdia e Graça pelo Espírito Santo para a iluminação da nossa mente. Em outra passagem das Escrituras Sagrada Paulo admoesta a “provar todas as coisas e reter o que é bom”.

O mandamento do antigo testamento já dizia: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
Não devemos nos esquecer de que após a queda do homem no jardim do Édem todas as faculdades homem foram contaminadas pelo pecado original, todavia, a Bíblia não impede o cristão de usar suas faculdades emocionais e racionais; pelo contrário, devemos é na verdade deixa-los à disposição de Cristo. Porque graças a Deus que através de Cristo Jesus e pelo Espírito Santo somos auxiliados a buscar a “mente de Cristo”.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

BBB o retorno (O big bosta brasil está de volta)

Para quem conhece a obra clássica de George Orwell intitulada "1984", em cujas linhas se desenvolve a trama de uma sociedade totalitarista, é bem provável que esteje revoltado com a brincadeira mais infeliz que um reality show já fez com o título de um grande romance. A expressão "o grande irmão", dentro da ficção política, nada mais é que para Orwell um mecanismo do forte estado totalitário de controle do pensamento, das ideias e do comportamento de seus súditos.

Na verdade, era para ser uma ficção, mas as redes de televisão atuais se encarregaram de fazer uma metáfora, uma figura de linguagem qualquer que tentasse repetir a ideia do livro do escritor inglês. E parece, ao meu ver que deu certo. Nessa brincadeira, de programas expositivos, o big brother se tornou um grande olho totalitário que se utiliza da mídia televisa para moldar o pensamento e as ideias de uma massa desavisada, ávida por corpos, brigas e liberdades sexuais ao vivo e à cores.

Longe de mim aqui em fazer uma crítica à alura de Luis Fernando Veríssimo, uma vez que o famigerado programa da rede de televisão Globo é uma tentativa desperada de arrebanhar o "ibope" do público brasileiro - e não precisamos ser críticos de carteirinha para chegar a essa conclusão. Certamente, muitos já chegaram a esse mesmo ponto que essa pobre crônica - ou seja - já não resta mais críticas ou depreciações racionais à respeito do programa intitulado "BBB11". Sem dúvida o mais infeliz de todos os programas. Não existem mais argumentos novos no mundo, pois todos já foram utilizados; e bem utilizado, diga-se de passagem, pois estou em um pais onde a liberdade de expressão e pensamento constitui uma garantia constitucional. Aliás,tenho mais liberdade ainda porque sei que a Dona Dilma prefere o barulho da impresa livre ao silêncio das ditaduras; assim foram suas palavras no solene discurso de posse no dia 01 de Janeiro de 2011.

Então digo: meu amigo e minha cara leitora, não se deixe levar pelas aparências. O BBB é um verdadeiro zoológico humano. Somos aniamis um pouco mais evoluídos que isso - certamente temos a racionalidade. Mas parece, que às vezes, gostamos de nos comportar como animais - dentro de jaulas de vidros expostas 24 horas por dia para visitantets que jogam bananas e beijos aos pobres.

Deus salve o Brasil!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!